"Cartas para Benício"

Um apanhado de letras, apenas. Que durem para sempre.

Mês: dezembro, 2013

Febre

Noite de quarta-feira, 11 de dezembro. O ano? 2013, ainda.

Madrugada de febre e choro. Durante a noite você não passou bem. Segundo a mamãe, foi preciso inalação boa parte do tempo (eu não acordei, confesso – rs).

Mais uma fase da “casa nova” está pronta/terminada. Agora temos a sala de jantar completa. Entregarão, disseram, daqui alguns dias. Suas habilidades artísticas já me preocupam…

Ninguém sabe, ainda, sobre a existência deste “lugar”. Por enquanto, sou só eu e você (ou será só eu?). A falta de periodicidade pode sugerir uma certa desídia, mas, acredite, ela não existe. 

Agora você brinca, corre e, vez ou outra, chora. Isso se repete todas as vezes que não atendemos seus mais diversos anseios (brincar com o faqueiro respeitosamente afiado que fica em uma gaveta na varanda, por exemplo).

Estamos em 2013, filho, e a corrupção se escancara nos mais variados veículos de informação (principalmente escritos, com os quais mais me familiarizo). Sinto vergonha e orgulho. Sei que estamos conduzindo seus passos para longe disso.

Temos nos preocupado em, ao invés de prepara-lo como um erudito frio, ou um sábio seco, transforma-lo em um homem de pensamento e ação (Olavo Bilac). Deu certo, né?

Vou correr e te apertar. Espero que lembre.

Com amor, papai.

Madiba

Em tempo, o mundo se despede do mestre Madiba, filho, também conhecido como Mandela (e sobre quem ainda conversaremos bastante). Aos 95 anos (quase a idade do “Vô Biza”), cansou e se foi.

Na imprensa, inúmeras manifestações de carinho. Ele foi um gênio, Preto, você precisava ter visto. Entregou praticamente 30 anos (quase a idade do Papai) da sua vida para defender a igualdade.

Em um jornal ou outro, ainda preferem dar ênfase ‘prum’ tal de Dirceu!

Kairós

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Tarde de sexta-feira, 06 de dezembro. 2013.

Dia longo, ontem. Muito trabalho para o papai e para a mamãe. Aqui no escritório, Recursos, Mandados de Segurança e outras coisas mais. Lá no trabalho dela, dedicação exclusiva, em especial por conta do sorteio para escolha dos grupos que disputarão a copa do mundo, que acontece no ano que vem.

Olha que bacana: você nem chegou ao mundo e já terá, de presente, uma copa do mundo (no seu país) no currículo. Vamos aproveitar muito, você vai ver.

No fim do dia, chuva e vento forte para limpar e varrer o cansaço. Chegando em casa e vejo a mamãe aflita, com água em todos os cantos da cozinha. Penso que ela ela ficou “puta” da vida, considerando que fui eu quem esqueceu a janela aberta. Hoje, na hora do almoço, arrumo um tempinho para curiar o celular. Uma mensagem:

Ontem foi um dia diferente. E mais uma vez, tive certeza do quanto meu coração transborda de amor pelo meu Benício. Podem dizer o que quiser, mesmo, mas mimar nossa cria é a melhor coisa do mundo.

Cheguei em casa por volta das 19h, carregando mochila da escola, sacolas, brinquedos, bolsa, envelopes enviados pela escola e, de rebarba, o Benício, que veio pendurado no pescoço. Aquela cena que só quem é mãe sabe. Estava realmente cansada. O dia foi puxado.

Ao entrar, me deparei com a cozinha alagada (a janela estava aberta na hora do temporal) e minha sobrinha linda tentando minimizar o estrago!

Benício estava tão ansioso para abrir aqueles envelopes que nem viu a prima. Foi correndo para o sofá e começou a mexer nos seus “trabalhos”.

E na minha cabeça, nada além do dever de arrumar aquela bagunça deixada pela água. Enquanto fazia isso, Benício me puxava para mostrar tudo que trouxera da escola: um boneco de neve feito de EVA, desenhos, livros e muitas outras coisas. Aflita com aquela bagunça, não dei muita atenção.

E de repente ele gritou: Mamãe óia isso aquiiii!

Larguei, parei tudo.

Tirei o sapato, nos jogamos no tapete da sala e comecei a ver tudo detalhadamente, comentando. Ele vibrava! Seu sorriso era contagiante quando eu perguntava o autor daquelas “fantasias”.

Eu afirmava e dava um beijo bem apertado naquela bochecha gorda, a cada dois segundos. 

O papai chegou e foi uma festa! Benício se empenhou ainda mais para mostrar todas as suas obras de arte. O pai, como eu, chegou e ficou preocupado com a cozinha alagada, mas em minutos foi tomado pela alegria do nosso príncipe. Ficamos ali, os três curtindo.

No meio de todos aqueles papéis, tinha também um CD com imagens do Benício na escola. Assistimos.

Tive noção ali, naquele momento, que meu bebê está crescendo, e que realmente fiz a escolha certa ao colocá-lo na escola esse ano. A evolução dele foi gigantesca.

E como ele ama os amiguinhos e a tão querida Prô Dri. É amor de verdade.

(…)

Chorei, chorei muito! Poque meu coração estava cheio, transbordando de amor. Estava muito feliz ao ver que ele é feliz!

Ele chorou, e sem saber porquê. Estava emocionado, mas ainda não sabe o que é isso. Baixinho, ele disse: Mamãe, estou com medo!

E eu expliquei: Filho amado, isso não é medo. É emoção, amor e eu e o papai estamos aqui com você, pra sempre! E a gente te ama muito. Não precisa chorar, digo eu aos prantos, deixando ele sem entender mais nada (kkkkk). Terminamos de ver as fotos, iniciamos o ritual do sono e ele dormiu como um anjo.

Sem dúvida, mais um dia especial.

Ah… a cozinha alagada?!
Que se dane aquilo tudo!

Com amor, Papai.

Vai e vem!

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Tarde de 02 de dezembro. 2013.

Não nos vemos há algumas horas. A saudade, contudo, já grita e esperneia. Amanhã viajo. Compromisso de trabalho. Na bagagem, a lembrança do final de semana, em que curtimos, passeamos, cantamos, pulamos, corremos, comemos e vibramos. Levo na mala o seu sorrio. Ele me alimenta.

Volto rápido. Quero te ver e te abraçar.
Quero estar perto de você.

Te amo, filho.
Com amor, Papai.