Adivugado
por dinovanoliveira
Segunda, dia 30. Véspera do “réveillon”. 2013, ainda.
Hoje ficamos juntos o dia todo. Mamãe foi trabalhar. Esse ano, ela ficou responsável pela “comunicação” da festa de réveillon da cidade.
Decidimos passear por algumas bandas, dentre elas as que abrigam o meu escritório. Você é só sorrisos.
Quando entramos, você logo corre pra minha sala, como se já soubesse onde fico e de onde desempenho meu trabalho.
Você brinca, rabisca, corre, pula, quebra uma coisa ou outra, fuça onde não deve fuçar e, do nada, questiona:
– “Papai, aqui que é o lugar dos ‘adivugados’?”
Respondo, mas sem dar muita bola:
– “Sim, filho, é aqui. Somos todos esse negócio aí”.
De volta às suas estripulias, você nem da bola para a resposta. Entretido com os papéis, volta a desenhar/rabiscar algumas folhas de rascunho.
Algum tempo depois, sinto você se aproximando de forma carinhosa. Você me olha, sorri e diz:
– “Papai, eu também quero ser adiguvado, tá?”
Eu choro, te abraço e sorrio. Feliz!
Feliz Ano Novo, filho.