Andrea
Sexta, 31 de janeiro. 2014. Último capítulo da novela. Dois mil e catorze anos depois do nascimento de Cristo, o amor de duas pessoas poderá, enfim, ser visto por todos.
Andrea é uns dez centímetros mais alta que eu, simpaticíssima, está sempre bem vestida e vira e mexe usa um casaco de pele sintética, sem se importar se faz frio ou calor.
Nos conhecemos em uma manhã de trabalho lá na sede da Escola, quando ela ainda era na Rangel Pestana, se não me falha a memória.
Como ficou sabendo que eu era o responsável pelo jurídico, não sossegou enquanto não encontrou um espaço na minha agenda. Ela não dava sossego.
Depois de entender um pouco mais da sua história, fiz uma lista com os documentos que eu entendia necessários para distribuir a ação.
Tempos depois, ela adentra minha sala carregando uma pasta repleta de cartas e fotos. São quase todas da sua infância, vivida em Rancharia.
Em uma delas percebo um menino franzino, loirinho, e feliz o suficiente para firmar pose segurando o calção na ponta da barra como se fosse uma saia. Sorrio.
Entre os documentos, uma carta da mãe, revelando sua opção sexual e psicológica desde pequena.
Passado quase um ano, ainda não temos o desfecho da ação, onde o pedido único é para que o Estado permita que Andrea seja ela mesma.