Parabéns
por dinovanoliveira
Naquela última noite nós não dormimos muito bem. Além de ansiosos, a barriga da mamãe – digna de fazer inveja ao mais bem aplicado bebum cervejeiro – já não permitia que gozássemos boas noites de sono.
Durante a manhã toda minha reação foi andar para um lado e para outro. Enquanto “caminhava”, meu pensamento viajava sobre a hora em que iríamos nos conhecer.
Almoçamos arroz, feijão, macaxeira, farofa e pimenta, “em homenagem” à nossa herança nordestina (Deus, salve a Bahia de todos os santos). Na TV, Mazzaropi.
Chegamos no hospital às 17h00. Levando em consideração que a sua chegada havia sido agendada para as 20h30, avalie que o emprego do termo “ansioso” não representa perfumaria.
Em poucos minutos já éramos mais de 60 pessoas, filho (64, para ser preciso). Você precisava ver. Parecia final de Copa do Mundo.
No quarto, um emaranhado de gente misturado com presentes, flores, lembrancinhas, amêndoas e uma garrafa de vinho do Porto, para amenizar a lucidez.
“Nosso pessoal” simplesmente tomou conta do hospital. Na área reservada para as pessoas assistirem os partos, ninguém se mexia. E nenhuma outra família conseguia apreciar o momento que aquele mundaréu de gente à sua espera apreciava (a chegada dos seus).
Quando entrei no centro cirúrgico já estava anestesiado por uma dose cavalar de apreensão, alegria e absoluto desespero. Eu precisava MUITO ver você.
O relógio marcava vinte e duas horas e trinta e oito minutos quando eu ouvi sua voz pela primeira vez (ou melhor, o seu choro, que foi repetido por muitas e muitas noites, até você completar 06 meses, se não me engano).
Eu desabei, cara! Em apenas 30 segundos, assisti um filme com 29 anos de duração. Relembrei, como num passe de mágica, as inúmeras situações que a vida me presenteou (algumas boas, outras nem tanto), com a certeza inabalável de que o final daquela história seria feliz.
Quando a médica te colocou no meu colo, o instinto pulsou forte e exigiu que eu te levantasse bem alto e o expusesse como o maior e melhor troféu que eu poderia ganhar. Era você, cara, o meu filho!
Do lado de fora, por trás do vidro leitoso que separava eu, você e a mamãe daquele povo todo, o silêncio apático que reina em todo e qualquer hospital foi atropelado por um grito forte e caloroso, emanado por um exército de amigos e familiares: “SEJA BEM VINDO, BENÍCIO”. Foi lindo…
De lá pra cá, 1.095 dias se passaram. De vez em quando eu até te conto essa história, mas não consigo mensurar o quanto ela já te significa.
E, a cada minuto, eu continuo me sentido o pai mais feliz dessa vida.
Parabéns!
