"Cartas para Benício"

Um apanhado de letras, apenas. Que durem para sempre.

Mês: setembro, 2014

Sim, o seu herói!

Pra mim, jogar futebol nunca foi tarefa fácil. Todo mundo sabe que não tenho a menor aptidão com a redonda.

Na escola eu sempre era o último a ser escolhido. De vez em quando, o capitão do time [de vôlei, apenas] resolvia me escolher algumas posições antes do último “atleta” em campo, motivado pela permanência de pessoas com desempenho pior que o meu ou, claro, considerando o fato de que mesmo sendo um asno, eu conseguiria [pelo menos] devolver a bola sobre a rede que divide o campo.

Para você ter uma noção, eu era um desastre até mesmo no gol, posição que, nas peladas da minha época, eram reservadas para os jogares com, digamos, “pouquíssimo rendimento” (o destaque no “pouquíssimo” é proposital).

Eu não consigo ser escolhido nem mesmo nos jogos de vídeo-game. É só começar a partida e todos veem que, nem com a ajuda de toda a parafernália tecnológica, meu rendimento se distancia do zero (à esquerda).

E é em razão desse “nível técnico”, portanto, que estou absolutamente familiarizado com os mais variados apelidos futebolísticos. Meus ouvidos processam esse tipo de coisa com a mais absoluta naturalidade.

Entretanto, dias atrás você mostrou que, contigo por perto, as coisas deverão ser um pouco diferente.

Na última terça-feira, dia de aula da mamãe (e quando nós reservamos nosso tempo para as peladas na quadra do prédio), bastou um desavisado nas relações de amor entre filho e pai gritar que eu era um “frangueiro” (perto do que já ouvi, isso soou como elogio) pra você tomar a frente e enaltecer meu gingado.

Com seus invejáveis 3 anos de idade, 1 metro e alguma coisa de altura e pouco mais de 16 quilos, esbravejou a certeza de que o ofendido era eu, o seu herói, e que, portanto, para continuarem enaltecendo minhas falhas em campo os ofensores precisariam de muito tutano.

Feliz!

A cara do Lego!

Dia desses você chegou em casa com uma história nova. Agora, você insiste em sentar bem no meio do rack da sala, põe no rosto um óculos velho (e sem lentes) que era meu e, no alto dos seus quase 04 anos, rosto liso, cabelos fartos e pele angelical, discorre com graciosidade (e sem desprezar a “experiência”) sobre como foi seu dia.

As histórias invariavelmente se repetem, mas isso não tira o nosso interesse em sentar à sua frente e ouvir, ouvir e ouvir (e, vez ou outra, filmar). Na última “conversa”, seu pedido era para que um futuro integrante da família não se atrevesse a morder… o rosto dos seus bonecos de lego!

Você é o nosso encanto!