outubro de 1995 e maio de 2001.
por dinovanoliveira
Uma das coisas que mais me incomodam na vida se chama saudade. Seria tão bom se fosse possível viver sem ela! Acredito que você vai passar um bom tempo, ainda, sem conhecer essa traiçoeira inimiga. De toda forma, prepare-se, cara, pois um dia ela chega!
No começo ela sempre se apresenta de forma amena e ofertando uma dor pequena, apreciável e, algumas vezes, até mesmo inspiradora. Depois, filho, ela se revela de um jeito inimaginavelmente dolorido, capaz de arrebatar o mais duro e implacável dos corações.
Há quem se acostume a lidar com ela. São os que a consideram íntima, familiar. Mas o seu poder de redução e enfrentamento é tão grande que, de repente, quando você menos espera, ela te joga no chão, domina sua guarda e arranha sua alma sem dó. Sem piedade. Quando isso acontece, todos ficam sem saída, até mesmo aqueles com quem ela desenvolveu estreitos laços de “amizade”.
O passar dos dias permite que essas batalhas aconteçam de forma esporádica ou sazonal. Mas ela é fiel, cara, e nunca, nunca irá te abandonar.
Para você ter uma noção do seu poder de transformação e guerrilha, ela chega a ser capaz de desenhar na sua mente. É sério! Sem pedir licença, ela introduz na sua cabeça coisas como paisagens, momentos, rostos, cheiros. Consegue até fazer com que você – mesmo estando indiscutivelmente sentado à frente de um computador qualquer e escrevendo um devaneio ou outro – consiga se teletransportar para um antigo caminho que separava sua casa do supermercado, fazendo com que sua cabeça visite novamente a história e passeie por lugares onde o tempo eternizou alguns dos momentos mais felizes da sua existência.
Saudade, filho. Esse é o nome dela.
P.S.: Nós fomos apresentados duas vezes, filho, e eu as cultivo de forma carinhosa e fiel.