"Cartas para Benício"

Um apanhado de letras, apenas. Que durem para sempre.

PIM

Ele sempre foi o mais parecido comigo. Desde que nasceu, o Pim, como era conhecido na primeira infância, estava ao meu lado pra onde eu ia, situação que o fez carregar trejeitos e manejos que eu sempre vi apenas em mim.

Como foi o primeiro sobrinho (homem) a conviver bem perto de nós (tenho muitos outros sobrinhos mais velhos, mas com nenhum deles eu tive a oportunidade de compartilhar as mesmas experiências), ele acabou recebendo o aconchego, os mimos e as demais vantagens decorrentes da leveza incomparável dessa relação.

A nossa casa era relativamente pequena. Por isso, o quintal do tio Tucano e da tia Cléo viravam verdadeiros playgrounds para nós, que vez ou outra era compartilhado com a Laura (ou Lóra, que é como você a chama). Digo “vez ou outra” considerando a escolha dela (ou sabe-se lá de quem) de ter vindo como menina (meninas não jogavam futebol naquela época).

Virava e mexia ele me acompanhava pelas minhas andanças lá na rua onde morávamos. Eu o carregava a tira colo até mesmo para as festinhas que eu era convidado.

Até pouco tempo atrás, tínhamos um vídeo em que ele aparecia dançando e imitando o Michael Jackson, cantor que, à época, era “o cara” (algum tempo depois ele virou “branco”, afinou o nariz e virou um negócio parecido com um espantalho).

Agora ele cresceu!

Tem poucos dias ele finalizou uma importante fase da sua vida, fechando o ciclo do ensino universitário (na verdade, eu tenho pego no pé dele dizendo que as coisas não são bem assim, haja vista que ele pegou uma “depê”).

Senti um misto de orgulho, alegria e felicidade, se é que esses dois últimos podem ser encarados, interpretados e ou sentidos separadamente.

Embora não tenha ido na Colação, ele compartilhou (nos tempos de hoje, a maioria das pessoas utilizam um “lugar” na internet chamado rede social, onde vidas alheias são compartilhadas, acompanhadas e bisbilhotadas; chama-se Facebook) uma infinidade de imagens que me transportaram para aquele espaço e me fizeram, ainda que de forma virtual, gargalhar a emoção e o sorriso que vinham dele.

Daqui a pouco chega a sua vez.

Reticências

Da última vez que escrevi até agora, nós viajamos para a Disney (foi lindo), para a Bahia, passamos Natal, Ano Novo e, agora, chegamos no Carnaval (amanhã, sexta, inicia o “régabofe” da festa do povo)

Ficamos sem luz, conhecemos o que está sendo considerado o maior episódio de corrupção que o país já viu e, acredite, estamos ameaçados de ficar sem uma única gota de água nas torneiras. Além da falta de planejamento do Governo (em todos os níveis), passamos por uma fase de estiagem (falta de chuva) que não é vista há mais de 80 anos, dizem alguns estudiosos do assunto.

Durante esse tempo, você me amou e “odiou” ao mesmo tempo. Estamos em meio ao que os experts da mente chamam de “Complexo de Édipo”, fazendo com que o seu amor desvairado pela mamãe me coloque de escanteio de um jeito inimaginável.

Você não sabe o quanto eu torço para que essa fase passe logo!