"Cartas para Benício"

Um apanhado de letras, apenas. Que durem para sempre.

Mês: junho, 2015

São Paulo, 29 de maio de 2015

Benício, meu amor, hoje é um grande dia. Eu, você, o papai e mais um bando de gente que temos por perto (e olha que não é pouca gente!) tivemos a confirmação de uma grande notícia: você terá um(a) irmão(a)! Quanta felicidade!

Você vinha nos pedindo essa companhia há tempos e agora ela está aqui, pertinho de se tornar realidade. Estamos todos muito felizes e com a cabeça cheia de planos para você e para o(a) seu(sua) parceiro(a) de jornada. Ter irmãos é uma dádiva, meu filho, e a mamãe queria muito que você sentisse isso! Não consigo imaginar minha vida sem as suas tias, minhas irmãs. A felicidade, portanto, é geral.

Hoje também é uma data especial para o papai e seus outros tios, irmãos dele. Com a vinda do(a) novo(a) integrante do nosso time, conseguimos virar uma página importante na vida da nossa família. Vovô Dumas e vovó Cleunice estão olhando por nós. Hoje é dia de festa aqui e no céu!

Sabe, filho, o papai e a mamãe se esforçam para que você seja um homem de bem, feliz e sonhador. Acho que estamos no caminho certo. Você é um garoto adorável e que todos gostam e querem por perto. Como sempre digo: a gente dá asas à sua imaginação e conseguimos enxergar o quanto isso é mágico!

Vamos fazer o mesmo com mais esse anjo que está vindo para nós, pois quem não sonha não realiza. Tenho certeza que você e seu irmão(a) serão realizadores. Peço a Deus que mantenha vocês dois sempre unidos.

Eu, papai, vovó, vovô, seus tios, tias, primos, primas e muitos amigos que conseguimos reunir ao longo da vida, estamos ansiosos para ver vocês dois juntos.

Então, meu amor, vamos cruzar os dedos e receber de braços abertos esse bebê lindo que a mamãe está esperando. Vocês são os meus tesouros.

Com amor,

Mamãe.

Estamos grávidos!

Não consigo recordar qual é a primeira lembrança que tenho dos meus irmãos, filho. Ainda que me esforce, a mente não indica a imagem certa sobre a primeira vez que entendi a existência deles. Mas, ainda assim, me impressiona a nitidez com que o amor e os laços de carinho que nos cercam se refletem nos meus olhos.

Experimentamos entre nós, dia após dia, sentimentos que, sei lá, não teriam tanto significado caso eles não existissem e estivessem por perto, mesmo nas vezes que o “perto” é sinônimo de “longe”.

É como se não existisse distância suficiente para afastar o sabor gostoso da segurança e da certeza inabalável de que, “aqui” ou “lá”, existe alguém que nasceu para nadar o mar revolto e topar qualquer parada em seu nome.

Foi com eles, filho, que aprendi a me esconder ou defender da bruxa que ficava debaixo da cama. Foram eles, filho, que me ensinaram o caminho contrário do homem do saco, do bicho papão, do boi da cara preta e de outras coisas mais.

Com eles, vivi aventuras precoces e tardias. Andei de bicicleta, corri perdido no meio dos carros e registrei, pela primeira vez, o sabor que tem o mar.

Briguei, corri, fugi, dirigi, amei, odiei, bati e apanhei. Aprendi com eles o significado do ciúme, do amor de pai e do amor de mãe. Senti saudade, alegria, tristeza, medo e dor. Cabulei aula, também.

Aprendi a dirigir bicicleta, moto e carro. Nessa mesma ordem.

Foi com eles, filho, e com mais ninguém, que aprendi (e registrei) que, às vezes, precisamos nos defender de quem jamais achamos que fosse capaz de nos oferecer algum tipo de perigo.

Ao lado deles, fugi, me escondi e, dias depois, me achei e tive a firme certeza de que jamais deveria ter saído do lugar que estava antes.

Foi neles, e em mais ninguém, que pensei nas duas vezes que a vida se foi e voltou. E foi pra eles, somente pra eles, que tive coragem de fazer o pedido de desculpas mais sincero e doído de toda a minha vida, mesmo tendo a certeza de que, na opinião deles, esse pedido jamais deveria ter sido registrado.

E agora, filho, exatos quatro anos depois de você ter nascido, o papai e a mamãe oferecem o seu mais significativo tesouro, que é a oportunidade de, assim como nós, ter alguém para chamar de irmão (ou irmã).

Parabéns pra você, filho! Estamos grávidos.