11 anos!

Não vou começar esse texto falando do tempo entre uma postagem e outra. Começo dizendo UAU, você está fazendo 11 anos!

Essa transição “criança vs. pré-adolescente” que você está entrando está tirando a gente do eixo. Menos pela necessidade de aprendermos com as questões que fazem parte desse pacote e mais pelo fato de vermos que você está crescendo, criando asas e se aprontando para voar. Esquecemos que essa parte também está na receita do “ter filhos”.

Lá atrás, em 2013, eu já tinha pensado e registrado isso. Quando você tinha 02 anos eu já tinha previsto que, nos tempos de hoje, a gente já não seria mais tão queridos assim, que você já não nos abraçaria com o calor e com o carinho daquela época e que não choraria mais no nosso colo pedindo para beijar um machucado seu.

E eu acho que é por isso que ultimamente as minhas sessões de terapia têm sido dedicadas a você. Durante uma hora das minhas semanas (às vezes duas ou três, porque eu não sou de ferro) eu paro pra escutar o que eu tenho a dizer sobre nós, sobre a nossa relação e sobre as projeções e transferências que [sem saber] eu jogo em você (você vai ainda ouvir falar mais sobre esse tal do inconsciente).

Fato é que nós todos (você, eu, a mamãe e a Nena) estamos vivendo um mundo de coisas novas. Daqui em diante, precisaremos nos acostumar com a ideia de que você está mais apropriado e empoderado da sua própria identidade. Que você está crescendo, abrindo as janelas da vida e encontrando as paisagens que marcarão a sua história.

Precisaremos nos habituar a entender que não seremos mais o centro da sua atenção. Que os amigos, as namoradas, as paixões e os desejos estarão alguns lugares à nossa frente. Que as nossas sessões de cócegas esparramados na cama ou no sofá ficarão pra depois. Assim como a nossa brincadeira de “walking dead” (que agora você odeia), as nossas sessões de cinema com pipoca e a “pacueira”. Faz parte!

Não sei quando você vai ler esse texto. Mas, independente do tempo e do lugar, saiba que ele não é uma mensagem melancólica, saudosa ou nostálgica. Aliás, ele é o contrário. É um texto libertador. Libertador porque ele coloca a gente na mesma estação.

Há 11 anos você invadiu o mundo e mudou a nossa forma de viver. Chorou praticamente todas as noites durante oito meses, fez a gente cambalear todas as vezes que ficou doente, mas, de quebra, escancarou os nossos corações. Trouxe o mundo da vida aos nossos pés.

Hoje, portanto, comemoramos o fato de a vida ser muito, mas muito mais colorida do que ela era antes. É clichê, mas vale o registro: o aniversário é seu e o presente é nosso. Sempre!

Valeu, cara. E parabéns pra você.